Missão técnica do Brasil visita indústria do salmão no sul do Chile

13 Dezembro 2018 a las 11:21 am

Em dezembro de 2018, cerca de 20 empresários aquícolas do estado de Mato Grosso (Brasil) visitaram a região de Los Lagos com o objetivo de conhecer novas tecnologias e processos produtivos aplicados à aquicultura chilena.

A delegação deslocou-se até Puerto Montt para visitar centros produtivos e empresas fornecedoras do setor, buscando adquirir conhecimento e avaliar a possível incorporação de tecnologias na atividade aquícola emergente de seu estado.

Do lado brasileiro, a visita técnica foi articulada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de Mato Grosso, enquanto no Chile a organização esteve a cargo da Greetech, dirigida por Christian Pérez.

Visitas a empresas e instituições do ecossistema aquícola

A agenda, realizada entre 3 e 8 de dezembro, incluiu visitas a diferentes unidades do ecossistema salmonicultor do sul do Chile, entre elas:

– Planta de processamento “Chincui”, da Ventisqueros

– Centro de cultivo da Salmones Austral

– Fornecedores tecnológicos como AKVA Group Chile, Innovex, Sitecna e SAAM

– Instituições como i-mar, ProChile e SalmonChile

– Planta de processamento da Caleta Bay

– Centro de P&D ATC Patagonia, da Empresas AquaChile

Essas visitas permitiram aos produtores brasileiros observar, em campo, processos produtivos, soluções tecnológicas, modelos de gestão e níveis de integração entre empresas, associações e instituições públicas.

Chile como polo tecnológico aquícola

A gestora de projetos aquícolas do Sebrae Mato Grosso, Valeria Louise Da Silva, já havia visitado anteriormente a indústria local, embora com foco produtivo. Nesta ocasião, o interesse esteve centrado no componente tecnológico.

“Hemos descubierto que este país también es un polo tecnológico acuícola y, por ello, quisimos traer a productores brasileños para que conozcan nuevas alternativas que les permitan desarrollar sus negocios en forma sostenible”, afirmou Da Silva, destacando também a integração existente no Chile entre políticas produtivas, setor privado e academia.

Mato Grosso é reconhecido por sua força no agronegócio — especialmente na produção de soja, milho e trigo —, mas nos últimos anos o Sebrae tem intensificado seu apoio à aquicultura por meio de capacitação, transferência tecnológica e promoção de boas práticas produtivas.

Atualmente, as principais espécies cultivadas no estado são tambaqui, pintado, pirarucu e, mais recentemente, tilápia.

Necessidades tecnológicas e visão empresarial

Um dos participantes, André Santos, proprietário da Porto Nogueira Pescados, produz anualmente cerca de 250 toneladas de tambaqui e pintado no norte de Mato Grosso.

Sua empresa opera todo o ciclo produtivo, desde a ova até o processamento (evisceração), com posterior comercialização no mercado local.

Em entrevista à AQUA, Santos afirmou que seu interesse era identificar “tecnologias para o desenvolvimento produtivo que possam ser aplicadas à nossa realidade, tanto na produção quanto no processamento”.

Ele destacou especialmente o interesse em softwares de gestão produtiva, ferramentas-chave para uma administração eficiente do negócio.

Após a experiência, ressaltou que leva “uma excelente imagem da indústria chilena. Observa-se uma busca constante por tecnologia e um impacto positivo no desenvolvimento social e econômico da região. Para o Brasil, seria muito importante avançar na mesma direção”.

Intercâmbio internacional e articulação produtiva

Essa visita técnica constituiu uma instância inicial de intercâmbio internacional entre produtores brasileiros e o ecossistema aquícola do sul do Chile, evidenciando o crescente interesse em conhecer modelos produtivos consolidados e soluções tecnológicas aplicadas.

A experiência permitiu observar como a articulação entre produtores, fornecedores, associações e instituições públicas configura um sistema integrado que posicionou a salmonicultura chilena como referência na América Latina.

Projeção e continuidade

Anos mais tarde, novas delegações provenientes do Brasil voltariam a percorrer o ecossistema salmonicultor do sul do Chile, consolidando uma linha de intercâmbio técnico e colaboração internacional voltada à inovação, sustentabilidade e desenvolvimento produtivo.